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Com o título “Brazil, protect your forests!, o jornal O Eco do  Climate Action Network (CAN), de novembro/dezembro, colocou às cartas na mesa, sem rodeios, ao mencionar que a aprovação do projeto de lei do novo Código Florestal no Brasil pode comprometer as metas de redução de emissões. Com isso, o país poderá ficará em situação constrangedora nas negociações internacionais… Veja mais no link: http://www.climatenetwork.org/sites/default/files/eco-nov30_0.pdf (S.S.R.)

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08/11/2011 16:20
Os eixos da economia sustentável sob o olhar de Ladislau Dowbor, por Sucena Shkrada Resk  (Blog Cidadãos do Mundo)
O economista político Ladislau Dowbor, professor titular no departamento de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), nas áreas de economia e administração, concedeu entrevista ao Blog Cidadãos do Mundo, no dia 26 de outubro, em que trata do tema do desenvolvimento sustentável e as interfaces com as economias solidária, criativa/do conhecimento e a chamada economia verde, um dos eixos centrais da pauta da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), em junho do ano que vem. Ele é enfático ao afirmar que a pauta central hoje é o combate à desigualdade e ao mesmo tempo considera que a sociedade civil está mais conectada mundialmente, o que pode trazer de maneira mais eficiente, formas articuladas de pressão sobre o processo..

Blog Cidadãos do Mundo – Professor, como as economias criativa e solidária estão inseridas na tarja da economia verde?

Ladislau Dowbor – Há várias dinâmicas para fazer essa análise. Hoje temos no planeta ainda 50% de população rural e que vive da agricultura. No Brasil, a agricultura familiar produz três quartos dos alimentos que vêm à nossa mesa. Toda a área do pequeno produtor, da pequena pecuária e dos cinturões verdes das cidades são profundamente diferentes do agronegócio. São dois universos distintos. O do agronegócio com intensidade de adoção de agrotóxicos, da monocultura, pecuária extensiva, em que o desmatamento para pecuária e para grãos tem um impacto significativo no conjunto dos problemas ambientais. Isso envolve também contaminação dos lençóis freáticos, das águas subterrâneas, dos rios e redução da biodiversidade e por aí vai, além do impacto climático. Agora, se observamos parte dos pequenos agricultores, que representa metade da população do planeta, eles podem utilizar a policultura, onde os plantios se equilibram, e outros sistemas naturais de preservação na agricultura em pequena escala, que com mais diversidade, tem menos pragas. Há um conjunto de processos que podem juntar a unidade menor de produção de subsistência com as novas tecnologias, com sistemas de apoio de economia solidária, como de produtos orgânicos; o abastecimento das famílias diretamente do produtor, do sistema de compras governamentais, por exemplo, para a merenda escolar. Na realidade, há uma imensa oportunidade de economia criativa, de aportes tecnológicos e acesso ao conhecimento mais sofisticado, nos sistemas de desentermediação.

Blog Cidadãos do Mundo – Mas quais são os mecanismos que auxiliam para que essa dinâmica, de fato, seja implementada?

Ladislau Dowbor – Hoje a fragilidade maior desses produtores são os atravessadores comerciais e o isolamento ao sistema de comunicação. Quando a gente vê agricultores no Quênia que fazem as transações pelo celular, mesmo sendo analfabetos, porque sabem falar e têm inteligência, percebemos que se gera, na verdade, outra dinâmica em um setor extremamente importante.

Blog Cidadãos do Mundo – Nesse contexto da economia sustentável, há mais alguma vertente?

Ladislau Dowbor – Outro eixo de imensa importância tem sido chamado de economia do conhecimento. Hoje na composição dos produtos, três quartos do valor não são matéria-prima ou trabalho físico, mas conhecimento incorporado de design, de pesquisas – os intangíveis. O conjunto das atividades econômicas, portanto, quanto mais densas em conhecimento, mais têm propensão para evoluir a processos colaborativos. Há inúmeros exemplos. Como no sistema da robótica, em que empresas privadas com bens lucrativos decidiram colocar todo o conhecimento on line (um mecanismo de compartilhamento). Veja a íntegra da entrevista em http://www.cidadaodomundo.blog-se.com.br .

*Por Liliana Peixinho

De que maneira a Comunicação pode contribuir, ou não, com a sustentabilidade? A informação veiculada e acessada, filtrada, pode ajudar na mudança de comportamento? Como isso pode acontecer, de fato? Se formos verificar o volume de investimentos que governo e empresas realizam, para propagar programas e produtos, podemos supor que as contrapartidas em visibilidade, credibilidade e por consequência, consumo, apresentam retornos que satisfazem bem os interesses de uma das partes da cadeia, os investidores. Mas, e o consumidor, esta satisfeito? E a matriz de produção, tem sido preservada, cuidada?

É objetivo desse artigo despertar a atenção sobre forma, velocidade, conteúdos e resultados de comportamentos construídos pela mídia, através da propagação massiva de conteúdos, sob o olhar da sustentabilidade.

Entre especialistas do campo da Comunicação circula informações sobre a velocidade da propagação do conceito de sustentabilidade e a necessidade de entender melhor o sentido profundo da palavra, usada massivamente sem a devida interseção harmônica nas escalas de produção. Mais do que significado, uma frase vale por seu efeito estético, moderno, linkado com uma realidade que insiste resistir aos desafios de mudanças de comportamento para a sustentação de sistemas fragilizados pela ganância, lucro fácil e rápido, desperdício de tempo e recursos, em nome de uma vida frágil e ignorada.

Apesar do apelo ideológico difundido massivamente, com reforço diário do discurso da sustentabilidade, o conceito parece estar distante de práticas, ações, gestões, comportamentos, que levem equilíbrio, harmonia, entre o que, como, e quanto se produz, na cadeia das atividades econômicas. Nesse contexto, como a Comunicação, o jornalismo, a publicidade, as redes sociais, as listas de discussões, os grupos virtuais, blogs, sites, entre outros, podem contribuir com informações transversalizadas, contextualizadas histórica e socialmente, para a construção de uma nova mentalidade, um novo jeito de pensar, fazer, se comportar, agir, mudar, no que tem se mostrado, demandado, como necessário e urgente.

De um lado vemos que os avanços da Ciência no prolongamento da vida humana estão desconectados com a mesma fragilidade que essa vida se mostra em ambientes criminosamente impactados por essa mesma ação humana. Esse paradoxo entre as descobertas científicas e a preservação da vida, num planeta que ainda estamos a conhecer, parece desconsiderar o tempo como o grande protagonista da História, que é determinada por ele. O homem pode viver 100, 110 ou mais anos. Ao mesmo tempo e no mesmo lugar, crianças continuam nascendo sem prevenção à saúde para garantir o início da vida. Faltam direitos simples, mínimos, como o de poder dar o primeiro suspiro numa maternidade com as mínimas condições profiláticas para isso. Veja a íntegra deste artigo na Agência de Notícias em CT&I da UFBA – http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/opiniao/marketing-verde-x-realidade-insustentavel/

*Jornalista e estudante do Curso de Especialização em Jornalismo Científico – Facom-Ufba

29/11/2011 15:47
Por Sucena S.Resk (Blog Cidadãos do Mundo)
Em 2012, se encerra o período do atual Plano diretor do município de São Paulo, em vigor desde 2002, portanto, os balanços e a proposta do próximo já têm que estar em plena discussão, pelo menos, é isso o que se espera. No contexto dessa pauta, foi lançado, no último dia 23, o projeto São Paulo 2022. A iniciativa reúne a Rede Nossa São Paulo, Escola da Cidade, o Instituto Ethos, o Instituto Arapyaú e o Instituto Socioambiental (ISA). Em linhas gerais, a proposta está baseada em 5 grandes eixos, com ideias, diretrizes e indicadores norteados pela gestão participativa.

Os temas centrais são:
– Cidade democrática, participativa e descentralizada;
– Saudável, cuidadora dos bens naturais e consumidora responsável;
– Compacta, ágil e policêntrica;
– Inclusiva, segura e próspera;
– Educadora, criativa e conectada.

Segundo o economista Cícero Iagi, um dos responsáveis pelo trabalho, não se pode perder de vista a dimensão humana da cidade. “São Paulo é gente e precisamos ver essas pessoas no território (ao se planejar)”, alertou. Na lista de desafios para a construção dessa São Paulo ‘mais coerente e justa’, foram destacadas as questões abaixo:
– Má qualidade do ar;
– Um número de 13.866 moradores em situação de rua superior a 328 cidades;
– A produção de 15 mil toneladas de resíduos sólidos diariamente;
– Aproximadamente 10 mil pessoas com renda per capita inferior a R$ 140
– e a dificuldade de mobilidade urbana, que faz com que cidadãos percam 2h42 horas por dia em seu deslocamento.

Ao mesmo tempo, a capital paulista tem uma circulação que favorece sua economia, com um evento a cada seis minutos e um total expressivo de turistas. Só em 2010, foi da ordem de 11,7 milhões de pessoas.Mas esse dado deve ser visto com o devido cuidado, pois não corresponde ao mesmo tempo às condições de infraestrutura.

Segundo o economista, os problemas e acertos devem ser pensados desde a concepção de planos de bairros, que até hoje, não saíram do papel, até sua dimensão metropolitana. E é aí que entra a necessidade de que os municípios tenham um diálogo mais próximo nessa gestão conjunta, que implica desde a economia à qualidade das águas dos rios. “A cidade incha pelas beiradas”, diz ele.

ASPECTO AMBIENTAL
No tocante ao aspecto socioambiental, algumas das orientações do documento são quanto à descanalização de rios, otimização do uso dos recursos hídricos pela população, como também ao maior controle e redução do desperdício no sistema. Com relação ao saneamento, a meta é atingir 100% do esgoto coletado e reduzir em pelo menos 20% a quantidade per capita de resíduos domiciliares (em 2010 estimado em 1,2 kg/hab). Quanto aos materiais recicláveis, constituir, no mínimo, uma central de triagem a cada 150 mil habitantes. Leia a íntegra em http://www.cidadaodomundo.blog-se.com.br .

DICA DE PESQUISA: IV CBJA – Oficina “Da Assessoria à Empresa, da Reportagem a Projetos”.

Pesquisa de opinião: O que pensam os jornalistas da área ambiental sobre a atuação profissional, mercado, fontes, satisfação etc.

Realização:  Por Sílvia Franz Marcuzzo e Maura Campanili

Rio de Janeiro, 17 a 19 de novembro de 2011.

Introdução

O levantamento foi realizado para se ter uma mostra de como atuam os jornalistas que se dedicam área. As informações foram obtidas através de questionários enviados no final de outubro e respondidos até a primeira quinzena de novembro de 2011. Dos 31 jornalistas convidados a participar, 18 enviaram as repostas, dos quais três pediram para não ser identificados

[1]. Os profissionais foram escolhidos pela experiência na área e também se procurou contar com a participação de representantes de todas as regiões do País. Veja a íntegra no  site Mundo Sustentável, que tambem divulgou a iniciativa:

 Os dados são analisados abaixo, a partir dos comentários dos entrevistados, com trechos de depoimentos editados.

1ª Parte: Perfil

1 – Entre os jornalistas que responderam a pesquisa, 15 vivem atualmente do jornalismo ambiental ou da comunicação relacionada ao meio ambiente.

2 – Na média, os entrevistados trabalham com jornalismo ambiental há 19 anos, com experiência na área que varia de 45 a 6 anos de atuação.

3 – Entre os entrevistados, dez são empresários (passam nota fiscal), como prestadores de serviço freelancer ou fixo de uma instituição ou veículo, ou dirigentes de empresa. Os demais são empregados (4), autônomo (emite Recibo de Pagamento de Autônomo- RPA ) (1) ou indefinidos (3).

4 – Em relação à forma de atuação, foram assinaladas várias alternativas por quase todos, indicando uma multiplicidade de possibilidades, apresentadas abaixo:

Reportagem para veículos: 17, dos quais 9 como atividade principal

  •  Redator/produtor de conteúdos: 16, dos quais 6 como atividade principal
  •  Elaboração de publicações: 14, dos quais 2 como atividade principal
  •  Assessoria de imprensa: 4, dos quais 1 como atividade principal
  •  Consultoria de comunicação: 8
  •  Aulas/cursos/capacitação/palestras: 4
  •  Elaboração de relatórios: 4
  •  Campanhas de mobilização: 3
  •  Roteiros de TV/cinema: 2
  •  Campanhas políticas: 1
  •  Edição, pauta, coordenação de redação: 1
  •  Apresentação/mediação de eventos: 1
  •  Fotografia: 1

Veja a íntegra em:  http://www.mundosustentavel.com.br/2011/11/pesquisa-sobre-o-que-pensam-os-jornalista%E2%80%8Bs-da-area-ambiental/ (divulgado no site Mundo Sustentável)

Por Sucena Shkrada Resk (Blog Cidadãos do Mundo)
A introdução do aspecto lúdico na educação ambiental possibilita abrirmos um campo rico não só para as crianças, mas para os adultos. O motivo é simples: mexe com a nossa sensibilidade e possibilita que enxerguemos nas entrelinhas e nas metáforas. Nessa linha, está o filme de animação “A Maior Flor do Mundo”, baseado no conto do escritor português José Saramago (1922-2010), em que ele é o próprio narrador. A produção de 2007 é dirigida por Juan Pablo Etcheverry.

Segue a dica. Em quase 10 minutos, descobrimos a importância da preservação da natureza e como estamos integrados a ela. Um bom recado para alertar aqueles que são a favor de mudanças radicais presentes no substitutivo do projeto de lei do Código Florestal. A proposta já passou pelas comissões da Casa e agora está em fase final de tramitação no Senado, e pode ser votada na próxima semana, em regime de urgência. O link é: http://www.youtube.com/watch?v=mFfGzmS7aFI&feature=player_embedded .

Veja mais em: http://www.cidadaodomundo.blog-se.com.br .

09/11/2011 11:52
Refletindo sobre o Estado do Futuro/Projeto Millennium, por Sucena Shkrada Resk (Blog Cidadãos do Mundo)

A 15ª edição do documento “O Estado do Futuro”, do Projeto Millennium, foi lançada no mês de outubro e revela um mundo que aspira transformações efetivas, tendo em vista que metade de nosso planeta ‘é potencialmente instável’ e expõe a dicotomia de ações de cada um de nós, que fazemos parte da humanidade. O X da questão é quanto seremos ágeis (individualmente, na figura do Estado, multilateral…), de forma eficiente, para promover as transformações necessárias.

Na balança das grandes controvérsias, hoje há mais riqueza, melhoria na educação, na qualidade de vida – vide a longevidade em alguns países. Ao mesmo tempo, os valores dos alimentos sobem, temos a diminuição dos lençóis freáticos, a corrupção e crime organizado aumentam, a crise econômica é uma realidade que deixa seus rastros desde 2008 e a insegurança ambiental e a desigualdade socioeconômica são traços marcantes neste século. Nesse quadro, a necessidade de governança transparente e coesa e de mudanças de paradigmas de desenvolvimento ganha maior força.

Rosa Alegria, vice-presidente do Núcleo de Estudos do Futuro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (NEF/PUC-SP) apresentou, no dia 26, a tradução e avaliação do sumário desse estudo, originalmente em inglês e espanhol.

No relatório, são apontados 15 grandes desafios estratégicos nessas tomadas de decisão, que giram entorno dos seguintes temas:
– Desenvolvimento Sustentável;
– Água;
– População crescente e recursos;
– Democracia;
– Perspectivas de longo prazo;
– Tecnologias da Informação/Comunicação;
– Exclusão Social;
– PIB per capita mundial – países…;
– O mapa da felicidade mundial;
– Saúde;
– Tomada de decisão;
– Paz e conflitos;
– Condição da mulher;
– Crime organizado;
– Energia;
– Ciência e Tecnologia;
– Ética Global.

CENÁRIOS DE CONTROVÉRSIAS
Em maio deste ano, o nível de CO2 estava em 394.35 ppm, o maior em pelo menos 2 milhões de ano. Tendo em vista o modelo extrativista, o consumo desenfreado e a perspectiva de sermos mais 2,3 bilhões de pessoas em 39 anos, faz com que esse cenário se torne mais relevante na agenda mundial. Vale lembrar que no dia 31 de outubro, oficialmente atingimos a marca de 7 bilhões de cidadãos.

O investimento em energias renováveis e limpas, além da eficiência energética tem aumentado. Hoje, inclusive, a China é a maior investidora , com orçamento de US$ 51 bilhões, em 2010, ao mesmo tempo que é a maior emissora de Gases de Efeito Estufa (GEEs). O relatório, entretanto, detecta que se não forem feitos grandes avanços em tecnologia e na mudança de comportamento, em 2050, ainda a maioria da energia mundial dependerá dos combustíveis fósseis. Veja a íntegra em http://www.cidadaodomundo.blog-se.com.br .

25/11/2011 15:08
Por Sucena Shkrada Resk (Blog Cidadãos do Mundo)
Uma agenda importante na área socioambiental será realizada neste final de mês, à qual é interessante estarmos atentos. Será a audiência pública nacional da versão preliminar do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, que acontecerá nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro, em Brasília. O encontro tratará das diretrizes e temas transversais, como educação ambiental, logística reversa e instrumentos econômicos.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), responsavél por essa interlocução, na programação de debates haverá a divisão nos seguintes grupos temáticos:
– Resíduos Sólidos Urbanos e inclusão de Catadores de Materiais Recicláveis;
– Resíduos de Serviços de Saúde, Portos, Aeroportos e Terminais Rodoviários;
– Resíduos Industriais;
– de Mineração;
– Agrossilvopastoris;
– e da Construção e Demolição.

Vale lembrar que alguns prazos foram estipulados para a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída pela Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010: de até agosto de 2014, não haver mais lixões no país e se adotar a coleta seletiva em todo território nacional.

Os municípios e estados têm o compromisso de até o ano que vem estabelecer seus planos de resíduos, entretanto, os mesmos devem estar concluídos em dezembro de 2011, para que tenham condições de se beneficiar do Programa de Resíduos Sólidos do Plano de Aceleração de Crescimento (PAC 2).

Não resta dúvidas de que essas implementações são um grande desafio para a mudança de estrutura de nossa sociedade e da gestão pública, pois infere o nosso modelo de desenvolvimento. Há vários Brasis em 5.565 municípios.

Paralelamente a esse processo, o Plano Nacional de Ação e Produção para o Consumo Sustentável, lançado no último dia 23, é outro mecanismo que deverá estar associado a essa legislação.

O MMA divulgou que foram assinados pactos setoriais, nesta semana. Um foi com a Unilever, que assumiu voluntariamente o compromisso de substituir, até 2020, o HCFCs (Hidroclorofluorcarbonos) e HFCs (HidroFluorCarbonos) em seu parque de câmaras frias, atualmente com 100 mil equipamentos, por outras com baixo potencial de aquecimento global, devendo atingir 80% até 2020.

Já a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) estipulou a meta de reduzir o consumo de sacolas plásticas em 40% até 2015 (a base de cálculo é a produção de 14 bilhões de sacolas em 2010). No caso da Associação Brasileira de Embalagens, a diretriz é a seguinte no mesmo período: instituir a simbologia técnica do descarte seletivo em mil produtos e adicionar a identificação dos materiais em outras 300 embalagens anualmente.

Leia também no Blog Cidadãos do Mundo:
28/10/2011 – Por dentro do saneamento básico;
15/05/2011 – Nós e a responsabilidade compartilhada s/o consumo e destinação do lixo eletrônico;
26/04/2011 – A “sociedade do lixo”: 60.868.080 toneladas só em 2010;
08/01/2011 – Personagens do Brasil: vozes da Várzea do Amazonas
15/07/2010 – Reflexões sobre resíduos sólidos.

Por Sucena Shkrada Resk (Blog Cidadãos do Mundo)

No próximo dia 28 de novembro, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançará a Campanha Mundial O Futuro que Queremos, que é uma iniciativa conjunta do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais e do Departamento de Informação Pública das Nações Unidas para divulgação em âmbito mundial da Rio+20.

Segundo a Agência Humanitare, o evento será realizado na sede da Prefeitura do Rio de Janeiro e terá como uma das primeiras ações o 1º Encontro Global de Diretores de Centros de Informação da ONU, que ocorre entre os dias 28 e 30 deste mês.

E qual é o futuro que queremos? Reflexão sem prazo de validade, não é? Vamos fazer esse exercício se tornar factível somente ao tecer as ações em nosso presente. Afinal, não há fórmulas mágicas para essas transformações…

Nesse processo de formatação do evento, no último dia 23, o subsecretário-Geral para Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas e Secretário-Geral da Rio+20, Sha Zukang, esteve no RJ. Ele tratou do tema Avanços e Desafios para a #Rio+20, em evento na Prefeitura do RJ. Nesta data, também foi lançado o site brasileiro oficial da conferência em português, que facilitará a comunicação do processo em nosso idioma, tendo em vista, que nem sempre é fácil dominar o inglês e espanhol.

A manutenção da página é de responsabilidade da Humanitare. Lá é possível encontrar documentos que fazem parte do processo de formatação do evento, como também uma newsletter quinzenal produzida pelo secretariado geral. O endereço é www.rio20.info/2012/ .
Na programação ainda foi lançada a chamada agenda Conexão G15 Rio+20, além do Global Report Initiative relacionado ao evento. As informações foram passadas pela UNIC RJ.

Mais uma iniciativa, na quarta-feira, (neste caso do Ministério do Meio Ambiente – MMA) foi o lançamento do hotsite Mulheres Rumo à Rio+20, que será mantido pela Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental.

São mais alguns instrumentos de pesquisa para que possamos ter elementos para acompanhar essa pauta.

AÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL
E conhecimento só se dissemina, quando há a circulação de informações que facilitam o poder de escolha, não é verdade? Então, seguem os dois sites que pesquisei, que já se encontram no ar e podem ser úteis para quem vai acompanhar, cobrir e quer assimilar melhor a participação da sociedade civil no processo da Rio+20:

FÓRUM SOCIAL TEMÁTICO 2012
O encontro do Fórum Social Temático 2012 – Crise Capitalista, Justiça Social e Ambiental terá como mote a Rio+20. O evento será realizado de 24 a 29/01/2012, em Porto Alegre.

Os grupos de trabalho estão sendo constituídos em outra plataforma (Diálogos2012), que está no ar, desde o último dia 15. São divididos em Água, Bens Comuns, Cidades Sustentáveis, Ciência e Tecnologia, Clima, Consumo, Educação, Ética, Extrativismo e Mineração, Governança e Arquitetura de Poder,Territórios, Auto-Governo e Bem Viver O endereço do site é http://www.fstematico2012.org.br/ .

A página da CÚPULA DOS POVOS NA RIO+20 POR JUSTIÇA SOCIAL E AMBIENTAL, que será realizada em junho do ano que vem, também se encontra no ar. É http://cupuladospovos.org.br/ .

Veja mais em – http://www.cidadaodomundo.blog-se.com.br .

22/11/2011 22:26

CBJA: jornalista ambiental na busca de liberdade, por Sucena Shkrada Resk

Três dias ou melhor, cerca de 26 horas de programação, entre palestras e oficinas, e uma conclusão: nós, que assumimos o papel de jornalistas socioambientais, sucumbiremos se ficarmos restritos aos ‘aquários’, a tarjas institucionais e às pautas métricas, envernizadas e cartoriais, que nos engessam e anulam. Precisamos de liberdade, é algo vital para nosso exercício. A reflexão pode parecer radical e até óbvia para algumas pessoas, mas foi o que realmente extrai, ao término do IV Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, realizado entre os dias 17 e 19 de novembro, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). O evento foi organizado pelo Instituto Envolverde e pela Rede Brasileira de Informação Ambiental (Rebia), com apoio da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental (RBJA).

No fim de tarde do sábado, posso dizer que um certo incômodo tomou conta de mim, me alertando para sair de possíveis inércias e períodos lacônicos e de equivocados pedestais, armadilhas comuns em nossa área (vaidades e orgulhos). Eu me dei conta que não há nada de errado em ser frágil, pois ao mesmo tempo, sou forte ao defender meus ideais de um jornalismo ético e multidisciplinar, em meio à exigência de sobrevivência em um mercado controverso e até perverso, em certas ocasiões. Essa ‘tempestade de ideias’ não foi resultante só do que ouvi dos palestrantes, mas da troca de repertório com os colegas de Norte a Sul do país, que participaram do evento, o que foi enriquecedor.

Durante o evento, triei algumas falas que me soaram positivas para esse exercício de reavaliação. No painel, que tratou da Rio+20, ouvi, por exemplo, do jornalista Vilmar Berna, a seguinte afirmação: “Não há imprensa neutra. Fala de parte da verdade. A questão é qual parte trataremos na Rio+20. O que vamos deixar nas sombras?”. A metáfora cabe bem em um tema no qual ainda pisamos em ovos e precisamos dedicar maior atenção ao contexto histórico e socioeconômico e não sermos enredados em possíveis retóricas.

Com as mudanças de datas sofridas no evento oficial, que passou para o período de 20 a 22 de junho do ano que vem, uma informação me pareceu importante a ser aprofundada. Segundo Claudia Maciel, do Itamaraty, entre os dias 16 e 19, o Brasil realizará grandes eventos com a sociedade civil, no processo informal, que não cabe na grande conferência. Agora, é importante saber qual será a representatividade dessas atividades na qualidade de vida da sociedade, não é verdade?

No plano macro da Rio+20, tendo em vista que cerca de 80 países entregaram suas propostas de contribuições oficiais para a secretaria da Rio+20/ONU, mais uma pauta me pareceu interessante de ser aprofundada. O que converge e o que distoa nesses documentos?

O que me chamou a atenção na fala do economista Ladislau Dowbor, professor titular no departamento de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), nas áreas de economia e administração (que recentemente concedeu entrevista para o blog), foi trazer sua experiência recente na China (maior emissor de Gases de Efeito Estufa do mundo) e, ao mesmo tempo, maior investidor em energias renováveis. “Lá, as motos elétricas estão nas ruas, no valor de 350. Por que aqui no Brasil não se adota esse modelo?”, lançou o questionamento aos presentes.

Com a proposta de quebrar paradigmas, Luiz Pinguelli Rosa, do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) afirmou: “Não há energia santa…Mesmo a eólica precisa de cimento, aço, cobre que necessitam de energia fóssil…”, durante sua palestra que tratou da Ciência e Inovação para uma sociedade Sustentável.

Segundo Pinguelli, o Brasil não deveria investir na energia nuclear. “Fukushima foi uma lição…e termoelétrica é um absurdo. O governo deve incentivar energia distribuída, extraí-la também do lixo. Ele também fez algumas ressalvas às hidrelétricas e mencionou que muitas pessoas do Movimento Atingidos por Barragens, populações indígenas não foram devidamente compensados e deveriam ser compensados por royalties…

Nesse exercício de questionamento, o jornalista André Trigueiro provocou – “Jornalista ambiental tem de incomodar…”. A sua fala tem sentido (acredito que para todos os jornalistas, de uma maneira geral), porque quando nos acomodamos, a profissão perde consistência…gera um vazio, não acham? Outra reflexão que fez também me soou pertinente.”O jornalismo fragmenta o tempo todo e nunca será sistêmico…Somos educadores informais para o bem ou para o mal…”.

O professor Ismar Soares, da Universidade de São Paulo (USP), trouxe o elemento educacional para a reflexão. Ele considera importante que se pense a escola como ecossistema e reforçou: comunicação só existe se é democrática e participativa, e lançou a seguinte questão – o desafio na sociedade de consumo é como integrar as crianças na luta pela sustentabilidade, afinal representam as futuras gerações. Uma das maneiras, em sua avaliação, é por meio da educomunicação… Aí está uma pauta abrangente sobre o que identificamos como ferramenta de empoderamento da sociedade e cabe ao papel da educação informal.

Com um discurso “revigorante” aos nossos picos de desânimo, a ativista ambiental Neuza Arbocz citou uma fala de Johnny Ken, do Techtudo, que considerei interessante… Segundo ele, se uma ou duas pessoas estiverem bem informadas, podem fazer a diferença. Ou seja, não precisamos nos desanimar quando não atingimos a quantidade…Aí está um dos grandes desafios dos jornalistas ambientais e de quem trafega nesta área. Muitos freiam seus potenciais ao não conseguir, por muitas vezes, grandes sensibilizações no aspecto quantitativo.

Um painel que aqueceu a reflexão foi “O Jornalismo Científico e o diálogo imprensa/academia”, com Ulisses Capozoli, Eduardo Geraque e Wilson da Costa Bueno. A questão ética, de conservar o estranhamento (que faz com que não aceitemos tudo de mão beijada), o aprofundamento das pautas as relacionando também aos aspectos sociais e ambientais fizeram parte dos temas levantados pelos palestrantes.

MÃO NA MASSA
Um dos cases interessantes apresentados, durante o CBJA, foi da iniciativa que se chama Rios e Ruas, coordenada pelo urbanista José Bueno, que visa fazer com que os cidadãos redescubram os cursos d`água sob a cidade concretada e com isso se sensibilize sobre a conservação da natureza, as histórias por trás das mesmas… Para isso, há um momento teórico e outro de expedição – https://www.facebook.com/rioseruas?sk=info

Como elemento propositivo, a Oficina de Mídias Sociais, conduzida por Alan Dubner, da qual também participei, lançou o embrião da criação colaborativa de geração e encaminhamento de conteúdo na plataforma http://www.jornalismoambiental.com, além de outras mídias, como blog e a rede social Facebook. A iniciativa integrou praticamente 35 pessoas de diferentes estados, faixas etárias nessa empreitada. Agora, é trabalharmos!

Durante o CBJA, a Rebia também realizou seu primeiro encontro nacional com a meta de revigorar o grupo, trazendo novas perspectivas. Ouvir colegas do Acre, de Alagoas, do Ceará, Mato Grosso do Sul, de Minas Gerais, do Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e de Salvador e eu, claro, do estado de São Paulo, foi algo muito instigante. Ouvi relatos de militância de comunicadores que vivem desafios “na pele”. E não são vivências corriqueiras, mas que exigem, acima de tudo, aprofundamento nas pautas e coragem.

Outro evento importante foi o I Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Ambiental, que reuniu 36 trabalhos apresentados na mostra científica, entre mais de 100 inscritos. Segundo a jornalista Gisele Neuls, o objetivo da comissão organizadora é formalizar uma Sociedade que coordene daqui por diante os próximo encontros, tornando o trabalho e fomento de pesquisas sistematizados. (Blog Cidadãos do Mundo – jornalista Sucena Shkrada Resk – http://www.cidadaodomundo.blog-se.com.br)